Os quatro estavam já descansados nas suas camas, nos seus quartos. Os progenitores no seu, o filho mais novo no dele, e o mais velho noutro.
A noite vai longa. É já outro dia. O ontem já se foi. Já é amanhã. Hoje.
O silencio reina até que um berro atravessa o bosque, o ar, o rio, as árvores, a varanda, a persiana, a janela de vidro duplo e chega aos ouvidos dos que dormem.
Primeiro penso que é o meu irmão num sono mais agitado. Mas não…
É o grito de um homem. Um homem em desespero. Um homem a quem a garganta é apertada e que berra numa última tentativa sufocada de pedir ajuda.
Mais um grito. Mais outro… e mais outro.
Ouço barulhos em casa. A família acorda.
Apercebemo-nos todos que os gritos não param. Ritmados. Uma e outra vez.
Chamamos-lhe simplesmente “o pássaro”.
- Ouviste “o pássaro” ontem à noite?
- Sim…
E a conversa fica por aí…
De quando em vez… lá ouvimos aquilo que queremos acreditar que seja um “pássaro”.
8 comentários:
seria o passaro homem!?
Bem, isso aí deve ser fresco deve, para o pássaro gritar tanto...
Não sei se é passaro homem ou fresco... mas sei que... mete medo e custa adormecer depois de o ouvir...
Tu moras em cu de judas ou será que isso agora se tornou numa zona digna dos Friday the 13th?
Eu moro numa zona privilegiada. A dois minutos do centro da cidade, mas com a floresta e aquele prototipo de rio mesmo em frente à varanda do meu quarto. Tenho mochos a cagar no meu tapete da entrada, tenho cobras a passear pelo estacionamento, tenho raposas que perseguem carros, tenho corujas que piam a noite toda, tenho milhafres ou rapinas parecidas mesmo por cima do terraço e já tive garças e cegonhas.
Mas claro que o melhor é gaivotas no centro da cidade. Isso sim é que é a loucura.
é o senhor do chapéu.
É um pardal. Mutante.
Tu é que devias perceber isto. Não eu.
Ou então a Carolina tem razão. Que é o mais provável.
Claro, porque eu ouço de madrugada "huurrraaaarrrghhhh" e penso logo: este tipo tem uma mutação. E já não é muito mau. Se eu lhe sentisse o cheiro ate te dizia qual era o gene mutado
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